Por Luciana Tani – Macaquinho Encantado

Por Luciana Tani

Hoje, quero contar um pouco sobre a minha infância que aconteceu na escola municipal Dr. Achilles de Almeida, localizada na cidade de Sorocaba, quando cursava a 2 série e minha professora era a tia Zani.
Quando eu era criança, era uma menina sapeca e adorava inventar histórias.
Um belo dia, depois das férias de verão, a professora pediu para fazer uma redação. O tema era “Meu bichinho de estimação”.
Eu me entusiasmei, e fiz uma linda história sobre meu macaquinho. Escrevi contando todos os detalhes de como meu macaquinho fugiu do zoológico e foi para minha casa. Falei das nossas brincadeiras e como ele era carinhoso. Lembro-me como se fosse hoje.
A professora resolveu ler a minha redação em voz alta.
Em seguida ela falou:
“- Luciana, sua redação ficou bonitinha! Mas, eu pedi para fazer uma redação falando sobre seu animal de estimação, e não escrever uma história inventada! Você não tem um cachorrinho ou um gatinho?”
As crianças riram e eu fiquei sem graça.
Então eu respondi:
” – Tia, eu tenho um lindo Pastor Alemão! Mas, eu gosto mais do meu macaquinho!”
” – Luciana, mas o macaquinho não existe, fale do seu cachorro!”
” – Tia, meu cachorro chama Bimbo! Mas, ele é muito grande e dorme no quintal, e meu macaquinho é fofo e dorme comigo! Ele existe!”
As crianças caíam na gargalhada.
Então, a professora percebeu que eu fiquei triste e fingiu que acreditava na minha história, e a partir daquele momento, eu me tornei a criança mais popular da minha classe.
As crianças ficavam em volta de mim no recreio, querendo detalhes do meu lindo macaquinho.
Minha imaginação era tão grande, que eu falava do meu macaquinho com tanta realidade, porque para mim, ele existia de verdade.
Eu morava duas quadras da escola e um belo dia, as crianças se reuniram e foram na minha casa, porque queriam conhecer meu macaquinho.
Mas, o Macaquinho não existia e as crianças me chamaram de mentirosa.
A menina mais popular da classe perdeu todos os seus amigos.
A partir daquele dia, quando a professora pedia uma redação, eu entregava a folha em branco, e simplesmente alegava que não sabia contar histórias.
Mas, eu era a menina mais feliz da classe, porque eu tinha um macaquinho encantado, que todas as manhãs, pulava na minha cama para me fazer cosquinhas.
Baseado nessa história real de minha infância, escrevi o conto que foi publicado na Antologia Inspiração em Verso IV da Futurama Editora e Gráfica, na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) e na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, intitulado “Meu Macaquinho Encantado”.

            MACAQUINHO ENCANTADO.

 
Era uma vez, uma menina triste e solitária, que tinha como seu melhor amigo um macaquinho encantado. Ele era encantado, por que só a menina podia vê-lo. Ele vivia solto na floresta e vinha quando queria. Vinha porque a amava. E juntos, eles riam e brincavam.
Mas, sempre chegava o momento quando o macaquinho dizia: “Tenho que partir!” Porém, a menina implorava:
“Por favor, não se vá! Fique mais um pouco comigo! Sentirei saudades! Vou chorar…”
“Eu também vou sentir saudades!” – dizia o macaquinho. “Mas vou lhe contar um segredo!”
“Eu só sou encantado por causa da saudade que carrega no seu coração! São suas lágrimas de saudades, que me trouxe até você! Eu deixarei de ser um macaquinho encantado, se não sentir saudades e talvez um dia, você acabe me esquecendo!”
Aquele lindo macaquinho encantador partia todas as noite deixando saudades.
E sempre ao nascer do Sol, o macaquinho pulava em sua cama para lhe fazer cosquinhas. Mas, a menina foi crescendo e se tornou uma linda mulher, e o macaquinho foi embora.
Essa é a história de uma menina que cresceu, e sente muitas saudades da sua infância.
Pin It

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *